Nesse meio tempo em que criei o incredulidades e deixei ele de lado, a vida seguiu seu rumo. Um dos principais motivos de ter deixado o blog de lado foram as circunstâncias da vida: último ano de ensino médio, formatura, primeiro emprego, ano de vestibular, mais emprego.
Foi quando reparei na minha vida, ali, andando as 7:30 da manhã na Presidente Vargas, vendo rostos passarem apressados por mim.
Me perguntei se eles sentiam? Ou será que eram apenas robos? Mecanismos automatizados, que não sentem e que não pensam em suas vidas. Estava tão cansada mentalmente, a rotina, os estudos, conciliar trabalho com estudos, a pressão do vestibular batendo na porta, o tempo curto, o trânsito, o atraso na barca, as cobranças do chefe e minha vida passando, dia após dia. Não fazia o que gostava e o salário no fim do mês não compensava todo o esforço, era barra pra mim conciliar isso tudo sem explodir ao menos uma vez na semana. Caminhava bem lentamente, diferente do resto do mundo. De óculos escuros, chorava, chorava de soluçar e era assim que colocava pra fora toda a pressão. Não me importava se percebiam aquele meu momento, meu ponto de escape, afinal todos ali eram automatizados mesmo. Das manhãs caminhando pela Presidente Vargas sinto falta de pouquissimas coisas.Uma delas era cruzar pela força do acaso com meu namorado, ali bem onde a Presidente Vargas é cortada pela Rio Branco. As manhãs que ocorriam o encontro acidental eram mágicas, me lembravam o acaso da vida e que ninguém é um ser que faz tudo no automatico.
Aquele abraço rápido mas apertado, aquele beijo corrido mas com vontade de ficar e o eu te amo apressado mas ainda sim apaixonado transformavam sutilmente minha rotina.
Também gostava de observar a arquitetura, os prédios enormes da grande avenida. Observava os mesmos rostos, todos os dias nos mesmos pontos. O sapateiro, o senhor do bar tomando seu café ritualmente as 7:39 da manhã, a moça que vendia brinquedos e bugigangas, o rapaz do pão... Uma infinidade de rostos, cotidianos, rotineiros, os únicos que percebiam aqueles meus momentos de escape. Tornou-se aterrorizante pra mim perceber minha vida passar frente aos meus olhos e eu fazendo algo que não gostava, ver meus planos apenas escritos em folhas da minha agenda sem se cumprirem. Sentir na pela a pressão do meu ano de vestibular, o ano decisivo. Meu pai dizia: "apenas passe, me prove que você é capaz"porem esse apenas passar não era tão fácil, provar que fui capaz exigia tanto de mim.
Esperei a tormenta vestibular passar. Foi quando também cheguei no meu limite, liguei pra casa chorando e disse: "vou pedir conta, não aguento mais ver minha vida passando presa nesse escritório minúsculo, eu quero mais que isso mãe, quero me sentir feliz, fazer o que eu gosto, quero qualidade de vida, quero existir de verdade." Ela disse apenas tudo bem, sei que você está cansada e quero o seu melhor.
Desliguei a chamada me sentindo mais leve, cumpri aquele último mês de trabalho com um misto de ansiedade e temor, pensava: ok e quando acabar o aviso o que vou fazer? E se não passar no vestibular? E se não der pra pagar as contas? E se? E se? E se...
Até que acabou aquela fase, o ano mais pertubador da minha vida tinha ido embora e numa manhã de quinta-feira estava livre, finalmente livre, fui na praia olhar o mar, passei um dia de sonho ao lado do meu namorado e percebi o que iria fazer agora, confiei que não ia faltar nada e resolvi retomar meus planos, resgatar meus hobbies e realmente voltar a viver.
Foi quando reparei na minha vida, ali, andando as 7:30 da manhã na Presidente Vargas, vendo rostos passarem apressados por mim.
Me perguntei se eles sentiam? Ou será que eram apenas robos? Mecanismos automatizados, que não sentem e que não pensam em suas vidas. Estava tão cansada mentalmente, a rotina, os estudos, conciliar trabalho com estudos, a pressão do vestibular batendo na porta, o tempo curto, o trânsito, o atraso na barca, as cobranças do chefe e minha vida passando, dia após dia. Não fazia o que gostava e o salário no fim do mês não compensava todo o esforço, era barra pra mim conciliar isso tudo sem explodir ao menos uma vez na semana. Caminhava bem lentamente, diferente do resto do mundo. De óculos escuros, chorava, chorava de soluçar e era assim que colocava pra fora toda a pressão. Não me importava se percebiam aquele meu momento, meu ponto de escape, afinal todos ali eram automatizados mesmo. Das manhãs caminhando pela Presidente Vargas sinto falta de pouquissimas coisas.Uma delas era cruzar pela força do acaso com meu namorado, ali bem onde a Presidente Vargas é cortada pela Rio Branco. As manhãs que ocorriam o encontro acidental eram mágicas, me lembravam o acaso da vida e que ninguém é um ser que faz tudo no automatico.
Aquele abraço rápido mas apertado, aquele beijo corrido mas com vontade de ficar e o eu te amo apressado mas ainda sim apaixonado transformavam sutilmente minha rotina.
Também gostava de observar a arquitetura, os prédios enormes da grande avenida. Observava os mesmos rostos, todos os dias nos mesmos pontos. O sapateiro, o senhor do bar tomando seu café ritualmente as 7:39 da manhã, a moça que vendia brinquedos e bugigangas, o rapaz do pão... Uma infinidade de rostos, cotidianos, rotineiros, os únicos que percebiam aqueles meus momentos de escape. Tornou-se aterrorizante pra mim perceber minha vida passar frente aos meus olhos e eu fazendo algo que não gostava, ver meus planos apenas escritos em folhas da minha agenda sem se cumprirem. Sentir na pela a pressão do meu ano de vestibular, o ano decisivo. Meu pai dizia: "apenas passe, me prove que você é capaz"porem esse apenas passar não era tão fácil, provar que fui capaz exigia tanto de mim.
Esperei a tormenta vestibular passar. Foi quando também cheguei no meu limite, liguei pra casa chorando e disse: "vou pedir conta, não aguento mais ver minha vida passando presa nesse escritório minúsculo, eu quero mais que isso mãe, quero me sentir feliz, fazer o que eu gosto, quero qualidade de vida, quero existir de verdade." Ela disse apenas tudo bem, sei que você está cansada e quero o seu melhor.
Desliguei a chamada me sentindo mais leve, cumpri aquele último mês de trabalho com um misto de ansiedade e temor, pensava: ok e quando acabar o aviso o que vou fazer? E se não passar no vestibular? E se não der pra pagar as contas? E se? E se? E se...
Até que acabou aquela fase, o ano mais pertubador da minha vida tinha ido embora e numa manhã de quinta-feira estava livre, finalmente livre, fui na praia olhar o mar, passei um dia de sonho ao lado do meu namorado e percebi o que iria fazer agora, confiei que não ia faltar nada e resolvi retomar meus planos, resgatar meus hobbies e realmente voltar a viver.

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