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05 fevereiro 2015

Ame-se, lhe fará muito bem.


Em umas das minhas madrugadas ótimas sem sono em um grupo de Whatsapp presenciei algo que foi semeado com intuito de discussão porem tornou-se um debate de amigos e me fez refletir muito sobre o assunto.
Alguém chegou no grupo e fez um comentário sem noção sobre como seria visualmente um casal de gordinhos fazendo amor e ainda fez comparações de como seria ver um casal de gente magra fazendo amor. Banalidades e crueldades de um comentário tosco e sem noção, feito com o intuito de diminuir alguém só porque ela tem o corpo que gostaria de ter; Interferi comentando sobre não curtir curtir meu corpo, mesmo sendo magra, falei horrores sobre o que não curtia de ver em mim, muitos outros interferiram também e o comentário que foi lançado ali pra ferir surtiu um pouco do seu efeito porem não todo o efeito esperado.
Foi quando parei para refletir, se eu, magra, vara pau não curto o meu corpo, será que alguém nesse mundo se agrada com o seu corpo? Talvez todos aqueles frequentadores assíduos de academia não vão para lá porque gostam de exercícios físicos, mas porque são pessoas com insatisfações eternas. Não estou dizendo que cuidar do bem e estar e saúde seja algo errado porem quando esse cuidado todo ultrapassa um certo limite, você se prende de mais a uma dieta, se limita de mais, se olha no espelho e não está feliz com o que vê mesmo as pessoas de fora lhe dizendo o quão ótima você esta, você passa a se amar a cada dia menos e se odeia mais um pouco a cada dia .
Talvez se nós insatisfeitos sem motivo, ou até mesmo os insatisfeitos com motivo inicial que se perderam após alcançar sua meta e ainda sim são insatisfeitos parássemos um pouco para observar quem está a nossa volta, parássemos de reclamar tanto da aparência, peso, ou imperfeição que não atrapalha em nada a vida para ver que tem gente por aí com muito mais motivo para reclamar, porque nasceu deficiente e não está reclamando. Tenho certeza que alguns cairiam na real, perceberiam o quanto a sua futilidade boba não é nada quando comparado ao problema de alguém que tem todo o motivo do mundo para reclamar e mesmo assim leva a vida como se aqueles problemas não fossem nada.

29 janeiro 2015

Rumo da vida ...


Nesse meio tempo em que criei o incredulidades e deixei ele de lado, a vida seguiu seu rumo. Um dos principais motivos de ter deixado o blog de lado foram as circunstâncias da vida: último ano de ensino médio, formatura, primeiro emprego, ano de vestibular, mais emprego.
Foi quando reparei na minha vida, ali, andando as 7:30 da manhã na Presidente Vargas, vendo rostos passarem apressados por mim.
Me perguntei se eles sentiam?  Ou será que eram apenas robos? Mecanismos automatizados, que não sentem e que não pensam em suas vidas. Estava tão cansada mentalmente, a rotina, os estudos, conciliar trabalho com estudos, a pressão do vestibular batendo na porta,  o tempo curto, o trânsito,  o atraso na barca, as cobranças do   chefe e minha vida passando, dia após dia. Não fazia o que gostava e o salário no fim do mês não compensava todo o esforço, era barra pra mim conciliar isso tudo sem explodir ao menos uma vez na semana. Caminhava bem lentamente, diferente do resto do mundo. De óculos escuros, chorava, chorava de soluçar e era assim que colocava pra fora toda a pressão. Não me importava se percebiam aquele meu momento, meu ponto de escape, afinal todos ali eram automatizados mesmo. Das manhãs caminhando pela Presidente Vargas sinto falta de pouquissimas coisas.Uma delas era cruzar pela força do acaso com meu namorado,  ali bem onde a Presidente Vargas é cortada pela Rio Branco.  As manhãs que ocorriam o encontro acidental eram mágicas, me lembravam o acaso da vida e que ninguém é um ser que faz tudo no automatico.
Aquele abraço rápido mas apertado, aquele beijo corrido mas com vontade de ficar e o eu te amo apressado mas ainda sim apaixonado transformavam sutilmente minha rotina.
Também gostava de observar a arquitetura, os prédios enormes da grande avenida. Observava os mesmos rostos, todos os dias nos mesmos pontos. O sapateiro, o senhor do bar tomando seu café ritualmente as 7:39 da manhã,  a moça que vendia brinquedos e bugigangas, o rapaz do pão... Uma infinidade de rostos, cotidianos, rotineiros, os únicos que percebiam aqueles meus momentos de escape. Tornou-se aterrorizante pra mim perceber minha vida passar frente aos meus olhos e eu fazendo algo que não gostava, ver meus planos apenas escritos em folhas da minha agenda sem se cumprirem. Sentir na pela a pressão do meu ano de vestibular,  o ano decisivo. Meu pai dizia: "apenas passe, me prove que você é capaz"porem esse apenas passar não era tão fácil,  provar que fui capaz exigia tanto de mim.
Esperei a tormenta vestibular passar. Foi quando também cheguei no meu limite, liguei pra casa chorando e disse: "vou pedir conta, não aguento mais ver minha vida passando presa nesse escritório minúsculo, eu quero mais que isso mãe,  quero me sentir feliz,  fazer o que eu gosto, quero qualidade de vida, quero existir de verdade." Ela disse apenas tudo bem, sei que você está cansada e quero o seu melhor.
Desliguei a chamada me sentindo mais leve, cumpri aquele último mês de trabalho com um misto de ansiedade e temor, pensava: ok e quando acabar o aviso o que vou fazer? E se não passar no vestibular? E se não der pra pagar as contas?  E se?  E se?  E se...
Até que acabou aquela fase, o ano mais pertubador da minha vida tinha ido embora e numa manhã de quinta-feira estava livre,  finalmente livre, fui na praia olhar o mar, passei um dia de sonho ao lado do meu namorado e percebi o que iria fazer agora, confiei que não ia faltar nada e resolvi retomar meus planos, resgatar meus hobbies e realmente voltar a viver.